Redes 5G: a Oportunidade para a Transformação Digital

5G transformação digital
Telecomunicações e 5G

Redes 5G: a Oportunidade para a Transformação Digital

Embora no momento em que este texto está a ser escrito esteja ainda a decorrer o leilão de espectro conducente à implantação do 5G (5ª Geração de sistemas de comunicações móveis) em Portugal, prevê-se que o seu lançamento comercial ocorra ainda em 2021. Ao contrário das gerações anteriores, os principais utilizadores deste novo sistema não serão os consumidores com os seus smartphones, mas sim as empresas com as suas implementações generalizadas de IoT (Internet of Things), porque as novas funcionalidades estão realmente vocacionadas para estas últimas. O 5G vai possibilitar uma verdadeira revolução em muitas áreas de negócios e de serviços, ao estabelecer as condições para o funcionamento de redes privadas (baseadas numa nova tecnologia, designada por virtualização ou fatiamento (slicing) das redes), que vão permitir que empresas ou outras entidades usem as suas próprias redes instaladas sobre as redes dos operadores de telecomunicações, criando as condições para a verdadeira transição digital.

 

O 5G oferece funcionalidades avançadas ao longo de três eixos, que são significativamente melhores (pelo menos 10 vezes) do que as atuais do 4G:

  • EMMB (Enhanced Mobile Broadband), ou seja, velocidades de dados mais elevadas que podem ir até 10 Gbps (Giga bit por segundo);
  • URLLC (Ultra-High Reliability Low Latency), ou seja, latências (atrasos) na transmissão mais baixas que podem ir até 1 milisegundo e disponibilidades mais elevadas que podem ir até 99,999% (o que equivale às comunicações falharem apenas pouco mais de 5 minutos por ano);
  • MMTC (Massive Machine-Type Communications), ou seja, capacidades de conectividade mais elevadas que podem ir até 1 milhão de dispositivos por quilómetro quadrado.

 

Embora estas funcionalidades beneficiem a maneira como os consumidores comunicam e vivem, mesmo assim, não se pode realmente tirar proveito destes valores “extremos” para uso direto por pessoas. De facto, caberá às empresas aproveitar estas novas funcionalidades para contribuir para os objetivos sempre presentes de redução de custos (implementando formas de melhoria da eficiência de seus processos internos) e aumento de vendas (desenvolvendo novos serviços e produtos para outras empresas e consumidores); adicionalmente, outras entidades não-empresariais podem tirar partido destas novas funcionalidades para fornecer melhores e mais serviços aos seus utilizadores.

 

A utilização de redes privadas abre um novo mundo para as empresas e outras entidades, uma vez que uma organização pode contratar uma fatia de rede a um operador e utilizá-la para os seus próprios fins e/ou para a prestação de serviços aos seus clientes/utilizadores. A diferença entre as gerações atuais de sistemas de comunicações móveis e o 5G é que o conjunto de características permitidas por esta última possibilita uma efetiva implementação de novos serviços que não é possível com o 4G.

 

Pode esperar-se que muitos sectores da economia (tanto públicos como privados) que são gerais a todos os países incluam nos seus produtos e serviços toda a extensão do 5G, como por exemplo: transportes, onde pode ser feito o seguimento de veículos e a otimização de rotas a um nível muito mais eficiente, mas onde também os serviços aos passageiros podem ser muito melhorados (não apenas em termos de acesso à Internet, mas também de entretenimento para viagens de longa distância); cuidados de saúde, onde o uso de roupas com sensores permite monitorar pacientes (de doenças crónicas à recuperação pós-cirúrgica em casa), e onde serviços remotos podem ser fornecidos (incluindo cirurgia remota e radiologia ambulante).

 

Mas é nalguns sectores da indústria transformadora que desempenham um papel fundamental em Portugal, desde o automóvel ao têxtil e calçado, e englobando os produtos agrícolas (azeite e vinho, por exemplo), que o 5G permite uma mudança fundamental em todo o processo produtivo, desde o rastreamento de matérias-primas para distribuição de produtos até à melhoria de processos de fabrico e de controlo de qualidade. A componente IoT será de grande importância, por possibilitar o uso generalizado de sensores e atuadores, e por gerar dados em basicamente todas as áreas de aplicação, levando à difusão de outras tecnologias que também são fundamentais para a transição digital, como robótica avançada e inteligência artificial.

 

Portugal necessita também de tirar partido do 5G para implementar comunicações eficazes para infraestruturas críticas e outros serviços essenciais. As comunicações ferroviárias são um excelente exemplo: atualmente, a rede ferroviária não é totalmente coberta por um sistema de comunicações móveis específico, e o existente é baseado num sistema 2G (2ª Geração), que é bastante limitado e não permite uma transmissão adequada de dados nas velocidades exigidas para a implementação de muitos dos serviços que devem ser implementados. Outro exemplo importante são as comunicações de segurança e emergência para polícias, bombeiros, proteção civil e infraestruturas críticas (o sistema SIRESP), que também se baseia em tecnologia 2G, pelo que padece dos mesmos problemas que o sistema de comunicações ferroviário; novamente, uma atualização para 5G é imperativa nesta área.

 

Mas, existem barreiras na aceitação e implementação do 5G. O uso generalizado de 5G IoT precisa de ter terminais de custo muito baixo, como sensores e atuadores (dada a escala com que serão usados), e as áreas de aplicação muito diversificadas serão um obstáculo para a produção em massa de dispositivos em geral. Alcançar as mais diversas empresas e entidades com soluções adequadas será muito diferente de vender telemóveis para o mercado consumidor.  Por outro lodo, é necessário ter uma nova perspetiva na instalação de componentes rádio (por exemplo, as antenas), devido ao facto de as necessidades das empresas e outras entidades serem diferentes das que estão associadas aos consumidores em geral. Por exemplo, a instalação de antenas WiFi em casa de consumidores ou de pequenas e médias empresas é feita normalmente por técnicos sem grandes conhecimentos de rádio, instalando as antenas normalmente junto do ponto de acesso à rede nessas instalações; como a utilização é a de simples acesso à Internet, sem requisitos específicos de qualidade, uma má instalação acaba por não ser detetada de modo quantitativo. Pelo contrário, a instalação de antenas de 5G num ambiente industrial (que já por si pode ser um enorme desafio, pela existência de um ambiente totalmente diferente do que existe em habitações ou escritórios) para melhoria de processos de fabrico não se coaduna com um procedimento igual ao que habitualmente se usa para o WiFi para utilização doméstica, requerendo um dimensionamento próprio e conhecimentos especializados.

 

No entanto, as oportunidades que são abertas pelo 5G para a transição digital são infinitas e ninguém pode ficar de fora.

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