Luís Correia, responsável pelo Técnico+  e Céline Abecassis-Moedas, diretora da Formação de Executivos da Católica Lisbon  são os protagonistas de uma parceria entre o Instituto Superior Técnico e a Católica-Lisbon.

A primeira iniciativa que resulta deste acordo é um programa de curta duração na área da blockchain, dirigido a todos os que querem compreender o potencial desta tecnologia. “Não queremos formar apenas executivos, mas todas as pessoas que trabalham a tecnologia de maneira geral”, salientam os dois responsáveis numa entrevista ao suplemento Educação Internacional do Jornal Económico.

Blockchain & SmartContracts foi desenhado a duas mãos: a maior escola de engenharia do país entrou com o know-how da tecnologia e a mais importante escola de negócios na área da formação de executivos contribuiu com as competências na área da gestão. O curso é coordenado por Miguel Pupo Correia, pelo Técnico e Paulo Cardoso do Amaral, pela Católica, e arranca a 20 de novembro. Tem a duração de três dias, num total de 21 horas, um custo de 1.900 euros e as inscrições já estão a decorrer. Nesta edição foi definido que as aulas serão lecionadas no campus da Católica-Lisbon.

Esta formação da Católica-Técnico está orientada para quem exerce num ambiente empresarial em funções de gestão e direção. Abarca perfis muito diferenciados, da engenharia à advocacia, banca, gestão de empresas, entre outros. Um dos pontos fortes está justamente aí – na diversidade de percursos e formação base. “Num programa desta natureza, a interação é necessariamente muito forte. Os participantes colocam questões, partilham experiências, mais do que qualquer outra coisa têm perguntas para as quais procuram resposta”, sublinha  Céline Abecassis-Moedas.

Em busca da verdade

Este será, essencialmente, um primeiro mergulho na tecnologia blockchain. Uma busca de respostas para o significado da expressão, as suas implicações na gestão de uma empresa, na evolução de um negócio, no impacto que terá nas indústrias em geral e quais as mais afetadas em particular, e casos de sucesso.

“A tecnologia blockchain permite identificar de maneira única um produto ou uma informação”, salienta Céline Abecassis-Moedas. Luís Correia complementa: “Permite verificar a verdade”. Empresas de produtos de luxo, como a Hermès, por exemplo, ou a mineira De Beers, estão, neste momento, a apostar em força nesta tecnologia. O facto de permitir a verificação e a certificação de todo um percurso faz com que possa ser usada como ferramenta no combate à contrafação, um problema quase tão antigo como o da existência das próprias marcas. Por outro lado, também permite verificar se os produtos são extraídos e fabricados de acordo com padrões internacionais dignos da condição humana, que começam a ser exigidos, por exemplo, por quem compra diamantes.

Como nasceu a parceria 

A escola de formação avançada Técnico+, lançado há cerca de um ano, tem um duplo objetivo: 1. chegar a quem trabalha na área da tecnologia e queira atualizar os seus conhecimentos ou reconverter-se profissionalmente; e 2. chegar a pessoas com cargos de direção e de gestão interessados em aplicar esta tecnologia no processo de tomada de decisão e no desenvolvimento do negócio. Para cumprir esta segunda vertente era preciso olhar para fora de portas. A Católica surgiu como o parceiro natural na área da gestão. “No Técnico, esta pareceu-nos a aliança natural, uma vez que a Católica tem grande experiência na formação para executivos, que é benéfica para ambos lados”, explica Luís Correia  ao Educação Internacional .

Como escola de engenharia da Universidade de Lisboa tem uma parceria com o ISEG, a escola de economia e gestão da mesma universidade no âmbito da qual as duas instituições estão a preparar iniciativas e cursos em conjunto. “Há áreas que identificámos que a parceria faz sentido com a Católica e outras áreas em que a parceria faz sentido, e vai fazer sentido, com o ISEG”.

Céline Abecassis-Moedas evidencia a excelência das duas escolas e o seu prestígio nacional e internacional para justificar esta aliança. “Somos complementares, não somos concorrentes e esse é que é o grande benefício desta colaboração”.

A tecnologia blockchain poderá ser apenas o princípio daquilo que tanto Luís Correia como Céline Abecassis-Moedas acreditam poder vir a ser o início de uma grande parceria. “Pretendemos que este curso seja o primeiro de muitos”. Áreas não faltam. “São todas aquelas em que as pessoas têm necessidade de perceber qual é o impacto que a tecnologia tem nos negócios e na vida em sociedade”, caso da inteligência artificial e machine learning, cibersegurança, 5G nas telecomunicações.

“Temos estado a estruturar ideias e espera-se que, num futuro razoavelmente próximo, consigamos ter uma oferta mais alargada de cursos conjuntos entre o Técnico e a Católica”, adianta Luís Correia.

Mais do que o papel dos formadores, o futuro da parceria está nas mãos dos formandos, i.e., na procura que os cursos vierem a ter.

Pode encontrar mais informação sobre o curso aqui.