O atual contexto de pandemia veio colocar desafios inauditos às economias. Talvez como nunca antes, ficou clara a omnipresença da realidade económica nas vidas dos cidadãos. Ainda mal o problema de saúde pública tinha começado, e já se percebia que as suas ramificações eram imensas.

A crise sanitária provocada pelo COVID-19 começou por gerar uma crise económica específica ligada a sectores como o turismo, os transportes e o entretenimento mas depois, com o confinamento social (lockdown), a crise generalizou-se a toda a economia, provocando um duplo choque económico sobre os lados da oferta e da procura, com as quedas na oferta e na procura a interagirem por forma a provocarem uma espiral recessiva, caso os governos não tivessem uma atuação rápida e eficaz para a evitar.

À medida que o tempo foi passando, o contributo de um bom sistema de saúde para uma boa performance económica foi ficando cada vez mais claro. Não existe trade-off entre estes dois conceitos. A economia ajuda a saúde e a saúde ajuda a economia. Sabemos que é assim: as teorias da gestão ensinam-nos que colaboradores saudáveis são mais produtivos e uma maior produtividade liberta recursos para melhorar o bem-estar dos cidadãos. Há o ciclo vicioso da pobreza e da doença, e há o ciclo virtuoso da saúde e do crescimento económico. Estes dois equilíbrios são possíveis, mas, tal como em muitos jogos em que há multiplicidade de equilíbrios, um é superior ao outro. Compete às autoridades desenhar incentivos e promover mecanismos para que a economia convirja para o “bom” equilíbrio.

A pandemia revolucionou as nossas vidas. Nada voltará a ser como dantes, o que não é necessariamente mau. Talvez alguns erros estruturais sejam corrigidos. Algumas das tendências que já existiam (digitalização, ”e-com”, teletrabalho, ”e-learning”, pagamentos digitais, tele-saúde, robotização, automação e robótica) vão ser aceleradas com esta crise. Talvez acabemos num equilíbrio superior àquele em que vivíamos. Com mais teletrabalho, que diminua as deslocações evitáveis, os níveis de congestionamento, de poluição e de stress, com mais qualidade de vida e aumento de produtividade - mais uma vez, dois conceitos que não são forçosamente conflituantes. Tal como em outros grandes choques económicos, alguns mercados são negativamente atingidos, outros são-o positivamente e ainda outros são criados. Muito se tem falado dos setores do turismo e da restauração, certamente dois dos que, pela própria natureza do choque, mais redução de atividade enfrentam. Mas setores relacionados com as plataformas de trabalho e comunicação à distância, apoio informático e outros, registam um ímpeto significativo, bem como o setor de produção de material médico de proteção, naturalmente. A conversão não é imediata, a deslocação de mão-de-obra dos setores sobredimensionados para os subdimensionados (por falta de investimento no passado ou por repentina criação de procura) é um processo de ajustamento que demora meses ou anos, dependendo do grau de especialização em questão. O curto prazo e o longo prazo não são os mesmos em todos os setores e, no entretanto, teremos inevitavelmente desemprego.

Gerir a incerteza dos cidadãos é um exercício fundamental, cujo sucesso poderá fazer uma diferença significativa na velocidade de ajustamento. Sabemos que expetativas de recessão ampliam a recessão, assim como expetativas de recuperação aceleram a recuperação. Informação clara que ajude os agentes económicos a tomar decisões acertadas, bem como capacidade de a entender e adaptar, são fatores cruciais para uma saída mais rápida da nova crise económica que já chegou.

Os cursos de Economia para Engenheiros e de Economia Industrial oferecidos pelo Técnico+ são um contributo no sentido de promover a capacidade de compreender e relacionar fenómenos económicos. A dinâmica dos agentes económicos, em interação entre si e com a envolvente macro, geram adaptações estratégicas e muitas vezes inovadoras, no sentido de preservar ou aumentar a competitividade.


Sobre o curso de ECONOMIA PARA ENGENHEIROS

O curso de Economia para Engenheiros oferecido pelo Técnico+ fornece ferramentas teóricas para melhor entender os fenómenos económicos, suas causas e impactos, com aplicações ao caso português:

  • Como analisar, por exemplo, as repercussões do atual contexto pandémico nos mercados à luz da Microeconomia e da Macroeconomia?
  • Que deslocações provoca na procura e na oferta, no equilíbrio dos mercados, e como é que as estruturas de custos, as elasticidades e o grau de concorrência influenciam esses efeitos?
  • Que políticas macroeconómicas podem ser usadas num contexto de recessão e qual o papel dos estabilizadores automáticos?
  • O que é o crescimento económico, como se mede e como se relaciona com o desemprego e com a inflação?
  • Qual a importância da poupança e do investimento?
  • Como flutuam estas variáveis ao longo do ciclo económico, como pode o Estado promover a estabilização da economia, quais os níveis e o racional para a intervenção do Estado, em que consiste o Orçamento de Estado e a Balança de Pagamentos, quais os instrumentos que Portugal tem num contexto de moeda única europeia, como vão a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu atuar e ajudar à recuperação económica da economia europeia e dos países europeus que pertencem à União Europeia e à zona euro (como é o nosso caso)?

A estas e outras perguntas se pretende dar resposta, a partir dos conceitos económicos fundamentais e da sua aplicação quer à economia portuguesa quer à União Europeia e à zona euro em que estamos inseridos, permitindo uma análise rigorosa dos efeitos em causa e um olhar crítico sobre a informação transmitida nos jornais económicos nacionais e internacionais. Este curso constitui uma importante mais-valia para os participantes, ajudando a melhor entender o ambiente económico em que se insere a sua organização.

 

Sobre o curso de ECONOMIA INDUSTRIAL

O curso de Economia Industrial oferecido pelo Técnico+ fornece aos engenheiros ferramentas teóricas e aplicadas para melhor entender os conceitos fundamentais da concorrência empresarial, da regulação económica e da análise e funcionamento dos mercados:

  • Quais as melhores estratégias de diferenciação, de pricing, ou de barreiras à concorrência, em função da procura, da estrutura de mercado e do grau de rivalidade?
  • Quais as vantagens de ser líder ou de ser seguidor?
  • Como se alteram as variáveis estratégicas em função do contexto económico (por exemplo, em clima de recessão pós-covid)?
  • Em que circunstâncias pode ocorrer guerra de preços?
  • Qual o papel dos fornecedores e quais as vantagens da integração vertical?
  • Como surgem os monopólios e qual o papel da política de concorrência no sentido de limitar abuso de posição dominante?
  • Como interpretar as estratégias de fusões e aquisições, integração vertical, desintegração, diversificação e internacionalização e como perceber a lógica das cadeias de valor globais à luz das estratégias de internacionalização e de deslocalização (offshoring, nearshoring e reshoring)?

O curso dá resposta a esta e outras perguntas, complementando a discussão com recurso a casos reais, abordando também as alterações nas cadeias de valor e as disrupções nos modelos organizacionais e de negócios na sequência da atual crise pandémica e alargando a capacidade de análise e interpretação dos comportamentos estratégicos das empresas no mercados em que se inserem, no sentido de os antecipar num ambiente de ação-reação entre rivais (“jogo”) com eventuais assimetrias de informação.