Miguel Mira da Silva
A rápida disseminação da Inteligência Artificial (IA) no panorama empresarial, público, económico e social está a impor uma transformação radical no mercado de trabalho, tornando a requalificação profissional uma necessidade incontornável para todos os trabalhadores.
A IA não é apenas uma nova tecnologia, mas sim um verdadeiro catalisador de mudança que vai obrigar todas as organizações e todos os profissionais a redesenhar as suas funções, processos e competências de forma contínua e acelerada. Perante a velocidade sem precedentes da sua adoção, a capacidade de adaptação dos trabalhadores tornar-se-á um fator decisivo para a competitividade no mercado de trabalho.
O problema, no entanto, não reside apenas na necessidade de requalificação, mas sobretudo no nível de maturidade e literacia digital da população ativa. O país encontra-se num nível extremamente baixo de literacia digital, o que se traduz numa incapacidade generalizada de tirar o verdadeiro partido das novas tecnologias, inclusive entre muitos profissionais das áreas tecnológicas.
De facto, apesar da rápida popularização de ferramentas como o ChatGPT, são ainda poucos os profissionais que conseguiram aumentar de forma efetiva a sua produtividade recorrendo à IA. Mais recentemente, surgiram os agentes de inteligência artificial, significativamente mais poderosos e versáteis do que os modelos conversacionais tradicionais. No entanto, esse potencial enorme vai continuar adormecido porque quase ninguém sabe o que são agentes de IA e como os utilizar de forma prática para melhorar o seu desempenho profissional.
Este desconhecimento sobre a utilização da IA na prática constitui um obstáculo sério ao aumento da produtividade, e consequentemente dos salários. Embora as ferramentas mais avançadas de IA (como os agentes) já existam e ofereçam oportunidades fantásticas, a falta de literacia digital impede que os profissionais consigam integrar essas tecnologias nas organizações onde trabalham.
O aumento sustentável da produtividade só pode ser alcançado através de formação adequada e orientada para a prática. Torna-se, por isso, urgente repensar todo o sistema de ensino, – desde a escola básica ao ensino superior, passando pela formação profissional, – à luz do novo paradigma imposto pela IA.
Em particular, o ensino superior, necessita de ser redesenhado para preparar os futuros profissionais para um mundo dominado pela IA, ensinando aos alunos a utilizar estas novas tecnologias para resolver os problemas concretos das organizações.
Caso esta transformação não seja efetuada, o valor de muitos cursos tenderá a diminuir, à medida que a IA passa a realizar tarefas que, até recentemente, exigiam conhecimento especializado. O modelo tradicional das licenciaturas e mestrados baseado no conhecimento “per se”, sem competências digitais, nem aplicação prática nas organizações, caminha rapidamente para a obsolência, o que aliás já começa a notar-se no mercado de trabalho. O mesmo se aplica, com ainda maior urgência, à formação profissional.
Concluindo, os profissionais necessitam de sair rapidamente do atual nível insuficiente de literacia digital, investindo de forma ativa na sua própria formação, sob pena de verem a sua competitividade no mercado de trabalho progressivamente penalizada. Em paralelo, escolas, empresas e organismos públicos devem assumir a responsabilidade de redesenhar os seus programas de formação e investir de forma estratégica na capacitação dos seus alunos e trabalhadores, garantindo que a transição para uma economia impulsionada pela IA se traduz em criação de valor real e sustentável.
É neste enquadramento que se justifica a aposta em formações como o Curso de Especialização em Inteligência Artificial Generativa (com Agentic AI), orientado não apenas para a compreensão dos conceitos de IA, mas sobretudo para a sua utilização prática – desde o uso estratégico de modelos generativos até à criação e exploração de agentes de IA capazes de aumentar significativamente a produtividade individual e organizacional.
Ao capacitar os profissionais para trabalhar com estas tecnologias de forma informada, crítica e aplicada, este tipo de formação constitui um primeiro passo essencial para ultrapassar o atual défice de literacia digital e responder, de forma concreta, aos desafios colocados pela rápida transformação do mercado de trabalho. Não se trata apenas de acompanhar a evolução tecnológica, mas de garantir que pessoas e organizações conseguem efetivamente tirar partido dela para criar valor sustentável.






