Inteligência artificial, Engenheiros e Economia Portuguesa

1. A INDÚSTRIA 4.0 E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Uma Revolução Industrial está ligada à evolução tecnológica, mas essa evolução gera disrupções nos modelos de negócios e na forma como se produz, consome e vive, tendo, assim, profundos impactos na sociedade.

Numa Revolução Industrial existem três dimensões: tecnológica, empresarial e social.

A convergência entre o mundo físico, as tecnologias digitais, a inteligência artificial, os sistemas biológicos e as ciências da vida dá origem, do ponto de vista tecnológico, à Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Indústria 4.0.

Esta nova Revolução Industrial provoca mudanças na forma como se produz e se consome, assim como na forma como as empresas interagem com os clientes, incluindo mudanças nos modelos de produção, organização empresarial, marketing e relação com o cliente.

Na Indústria 3.0, existia a automação isolada de máquinas. Na Indústria 4.0, ocorre a digitalização de produtos, serviços e ativos físicos, com integração em ecossistemas digitais junto de parceiros da cadeia de valor. Os meios de produção estão ligados digitalmente, as cadeias de abastecimento encontram-se integradas digitalmente e os canais de distribuição são digitalizados.

A digitalização permite também adaptar a lógica da produção em massa à produção personalizada para cada cliente. É neste contexto que se inicia o avanço da inteligência artificial como grande tecnologia transformadora.

2. A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO GRANDE TECNOLOGIA TRANSFORMADORA

O ChatGPT foi a plataforma de crescimento mais rápido da história tecnológica do mundo. Possui a capacidade de dialogar sobre os mais diversos assuntos, compreendendo o utilizador e respondendo de forma adequada.

Esta plataforma surge na sequência dos modelos estatísticos de linguagem, como GPT-1, GPT-2 e GPT-3, baseados numa arquitetura proposta pela Google em 2017.

Na última década, houve avanços importantes em diversos domínios, incluindo sistemas de classificação, interpretação e geração de imagens, algoritmos capazes de aprender a jogar jogos como o xadrez e a resolução computacional de problemas complexos, como a configuração de proteínas.

A grande diferença é que, anteriormente, estes sistemas não eram utilizados por milhões de pessoas. Com o ChatGPT, ocorreu a explosão e massificação do uso da inteligência artificial em larga escala.

Estes modelos conseguem identificar, com cada vez maior precisão, os desejos do utilizador, à medida que são treinados com volumes cada vez maiores de dados, aproximando-se do senso comum humano. Esta limitação era até agora a principal barreira à utilização generalizada destas aplicações, que permaneciam confinadas a especialistas devido à sua complexidade.

A capacidade de compreender rápida e facilmente as intenções do utilizador permitirá o desenvolvimento de aplicações simples e intuitivas em áreas como contabilidade e finanças empresariais, análise de projetos de investimento, estatística, econometria, gestão e análise de dados, controlo de gestão e processos empresariais, direito, gestão de recursos humanos, logística e gestão de cadeias de abastecimento, transportes e mobilidade, banca e seguros, turismo, lazer e desporto, assim como o desenvolvimento avançado de chatbots para responder automaticamente a pedidos de clientes.

Grandes empresas de tecnologia, bem como empresas mais pequenas especializadas, irão oferecer este tipo de aplicações, que têm grande potencial para aumentar a produtividade, reduzir custos e tempos de resposta, automatizar tarefas e tornar mais eficientes atividades atualmente desempenhadas por profissionais altamente qualificados.

3. OS IMPACTOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO MERCADO DE TRABALHO E NOS ENGENHEIROS

Em relação aos impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, é importante compreender que um posto de trabalho engloba várias tarefas e atividades. Muitas destas tarefas passarão a ser executadas por aplicações de inteligência artificial, ou seja, serão eliminadas mais tarefas do que postos de trabalho.

O desafio para profissionais altamente qualificados, como engenheiros, é reinventar-se, abandonando tarefas que serão automatizadas e concentrando-se em atividades mais complexas, que exigem maior reflexão e ponderação.

A inteligência artificial deverá ser utilizada como co-piloto no posto de trabalho. Um profissional qualificado que não utilize a inteligência artificial não perde o emprego devido à tecnologia em si, mas pode perdê-lo para outro colega que a utilize de forma eficaz. Engenheiros, economistas, consultores e advogados não serão substituídos pela inteligência artificial, mas sim por colegas que a dominem e a integrem no dia a dia.

4. O IMPACTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NA ECONOMIA

Segundo um estudo recente divulgado pela Google, realizado pela consultora britânica Public First, a inteligência artificial generativa, capaz de criar texto, imagens e vídeos, poderá aumentar a dimensão da economia portuguesa em até seis por cento do Produto Interno Bruto atual, num prazo relativamente curto.

O Professor Arlindo de Oliveira, do Instituto Superior Técnico e atual presidente do INESC, considera este valor excessivo, uma vez que estes estudos são algo especulativos, mas afirma que cinco por cento de crescimento do PIB em dois anos seria aceitável.

Numa perspetiva mais realista, estima-se que o contributo poderá ser de cerca de um ponto e meio por cento do PIB.

A economia portuguesa, limitada pela baixa produtividade em relação aos principais concorrentes europeus e globais, assim como pela escassez de recursos humanos altamente qualificados, possui com a aplicação destas tecnologias uma grande oportunidade para superar estas limitações e impulsionar o seu desenvolvimento económico.

Para tirar pleno proveito das oportunidades da Indústria 4.0, os engenheiros devem dominar novas dimensões: tecnológica, empresarial e social. Ao frequentar os cursos Gestão para Engenheiros e Estratégia Empresarial para Engenheiros, estará a preparar-se para liderar a modernização da economia portuguesa e assegurar que mantém vantagem sobre profissionais que já dominam estas tecnologias transformadoras.

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