A Inteligência Artificial tem vindo a demonstrar capacidades surpreendentes: reconhecer imagens, escrever textos, ou dominar jogos complexos como o xandrez ou o Go. Mas os avanços mais recentes indicam que estamos à beira de um novo salto tecnológico – aquele em que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de análise e passa a assumir um papel ativo na geração de conhecimento.
Numa reflexão publicada no Jornal Económico, o Professor Arlindo Oliveira, docente do Instituto Superior Técnico, e coordenador e formandor do curso de formação em Inteligência Artificial e Ciência de Dados para Executivos (Data Science), aponta precisamente para esse cenário. O desenvolvimento de sistemas de IA com agência, – ou seja, com a capacidade de interagir com o mundo, aprender com os seus próprios erros e formular objetivos,- poderá permitir à tecnologia ultrapassar os limites do que é hoje conhecido.
Segundo o professor, as abordagens tradicionais de IA baseiam-se, na sua essência, em três metodologias distintas: aprendizagem supervisionada, onde modelos são treinados com dados rotulados por humanos; aprendizagem por reforço, em que os sistemas aprendem com a experiência e a repetição; e a aprendizagem auto-supervisionada, como a que está na base dos grandes modelos de linguagem. Todas estas técnicas, apesar de desenvolvidas, estão inevitavelmente ancoradas em conhecimento pré-existente.
A verdadeira mudança, defende o Prof. Arlindo Oliveira, poderá surgir quando esses sistemas deixarem de depender exclusivamente de dados humanos e começarem a interagir com o mundo real — seja através de sensores, robôs, ou redes digitais – para gerar os seus próprios dados, testar hipóteses e construir modelos explicativos.
Este tipo de agentes inteligentes, capazes de formular e perseguir objetivos de forma autónoma, representa uma nova fronteira na IA. Para além de responderem a perguntas, estes sistemas poderão colocar as suas próprias questões – e encontrar respostas onde ainda não as procurámos.
É uma evolução que levanta desafios significativos: desde a supervisão ética até à validação científica dos resultados produzidos. Mas também uma promessa fascinante: a de transformar a inteligência artificial em mais do que um reflexo da nossa própria inteligência, numa parceira real na descoberta do mundo.
Reflexão inspirada no artigo de opinião do Prof. Arlindo Oliveira publicado no Jornal Económico, maio de 2025.






