O Professor Miguel Mira da Silva, coordenador e formador de várias formações do Técnico+ Formação Avançada, é um dos autores de um estudo recente do INESC INOV-Lab que analisou a forma como gestores portugueses estão a adotar ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (GenAI) no contexto profissional.
Os resultados revelam uma tendência clara: os gestores encaram a GenAI não como uma moda, mas como uma ferramenta estratégica, adotada principalmente por motivos pragmáticos, visando melhorar o desempenho e a produtividade.
Produtividade acima de tudo
Segundo o estudo, a perceção de ganho de produtividade é o principal fator motivador.
Cerca de 89% dos inquiridos afirmaram que a GenAI os ajuda a executar tarefas mais rapidamente e a aumentar a eficiência no trabalho diário.
Por outro lado, aspetos tradicionalmente associados à difusão tecnológica, tais como a facilidade de uso, a pressão social ou a novidade da ferramenta, demonstram um impacto reduzido ou irrelevante.
Estes resultados indicam que os gestores estão a recorrer à GenAI com objetivos práticos e orientados a resultados, reconhecendo o seu valor estratégico.
Os setores tecnológicos lideram a adoção
O estudo mostra ainda que a adoção da GenAI é mais comum em grandes empresas e em setores tecnologicamente avançados, tais como finanças, banca e TI.
Já áreas menos digitalizadas, como a agricultura e a construção, apresentam níveis de utilização mais baixos, demonstrando uma tendência que poderá acentuar as desigualdades competitivas entre empresas, consoante o seu grau de maturidade digital.
Desafios e oportunidades para as organizações
Os autores defendem que as empresas devem investir ativamente em aprendizagem organizacional e capacitação das equipas para identificar, assimilar e explorar o potencial da GenAI.
Para promover uma adoção mais ampla, é essencial comunicar os benefícios concretos da tecnologia, como por exemplo: os ganhos de eficiência, o apoio à decisão e a inovação nos processos de negócio.
Em última análise, o estudo reforça que a vantagem competitiva não resulta apenas da tecnologia, mas da capacidade das organizações em integrar e aplicar o conhecimento gerado pelas novas ferramentas de IA.
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